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Detonautas lança novo CD: "O Retorno de Saturno"

É o primeiro disco da banda após a morte do guitarrista Nettinho

| Virando Bixo

Em novembro de 2006, época do lançamento de "Psicodeliaamorsexo&distorção", terceiro disco do Detonautas Roque Clube, a banda carioca passava por um momento difícil. Fazia poucos meses que o guitarrista Rodrigo Netto, o Nettinho, havia sido assassinado durante uma tentativa de assalto.

Em entrevista sobre aquele trabalho, o vocalista e letrista Tico Santa Cruz não quis falar muito sobre o assunto. "Ainda não temos esse distanciamento", respondeu, quando questionado se a morte do colega de banda e amigo tinha se refletido nas composições do grupo. Agora, o Detonautas lança seu quarto álbum, "O Retorno de Saturno", o primeiro sem a participação de Nettinho.

E a banda já pode avaliar melhor de que forma o trauma pelo qual passou mudou seu modo de compor e tocar. Num disco de canções tranqüilas, seguindo a linha do antecessor, Tico, Fábio Brasil (bateria), Tchello (baixo), DJ Cleston (percussão) e Renato Rocha (guitarra) experimentaram arranjos com novos instrumentos, buscaram inspiração no rock dos anos 80 e seguiram no estilo distante do pop rock que os fez tornarem-se um fenômeno de mídia no início da carreira, quando fizeram shows de abertura para nomes como Red Hot Chilli Peppers e Silverchair.

Sobre o novo disco e o momento pelo qual passa o Detonautas, o batera Fábio deu a entrevista a seguir.

A idéia era que o "O Retorno de Saturno" seguisse a linha do "Psicodeliaamorsexo&distorção", ou seja, mais psicodelia e menos pop rock?
Acho que este disco tem coisas psicodélicas, sem querer soar psicodélico. Descobrimos que temos isso dentro da gente naturalmente. Mas este disco é um pouco diferente em termos de letras e instrumental, é mais canção que o anterior, mais contemplativo. Tem muito violão, acordeão, piano, várias incursões numa busca por brasilidade.

Como foi o processo de composição do disco?
Todas as letras são do Tico, o arranjo e as músicas, a gente faz juntos. Desta vez, quando nos reunimos para tocar as músicas novas, senti que era algo diferente realmente que estava pintando. Mesmo só com um violão, um piano, senti que as músicas estavam prontas, não precisavam de tanta coisa para que se tornassem mais poderosas. No estúdio, nosso trabalho foi mais de sobrepor a parte instrumental.

Como foi fazer este primeiro disco sem o Nettinho?
O Tico teve que passar por essa provação, porque o Netto compunha com ele. Isso pegou muito pra ele, mas acho que fez com que caísse mais de cabeça no trabalho.

O disco traz letras com referências à política e à guerra urbana. A morte do Netto tem a ver com isso?
Com certeza, você encontra isso muito forte em algumas músicas. Mas também tem coisas mais pra cima em outras. O sentimento de amizade, de fraternidade, permeou a gravação deste disco o tempo todo. A gente precisou se unir, entender, amadurecer. Tudo que é menor se dilui num acontecimento como esse. Sentimos nossas pernas cortadas no terceiro disco, um trabalho em que a gente acreditava demais. Então agora precisamos ir passo a passo, sem medo do que estávamos sentindo. Foi assim que nasceu este disco.

As letras têm uma clara inspiração em Renato Russo e uma música cita os Titãs. Vocês foram beber na fonte do rock dos anos 80?
Tenho 35 anos. A geração que falou pra mim foi a do Renato Russo, do Cazuza, discos poderosíssimos até hoje. Há discos da Legião antológicos. Não é que fomos influenciados por isso, mas você ouve tanto, que tem uma hora que não dá pra renegar. É até inconsciente.

O Detonautas já foi mais comercial, talvez por isso já esteve mais presente na mídia. Como você analisa as oscilações entre aparecer mais ou menos?
No momento em que descobrem sua música e você tem uma banda que promete, sua vida se transforma de uma hora para outra, vira uma loucura. Mantivemos isso no primeiro e no segundo discos, mas o terceiro foi superbem aceito pela crítica e nem tanto pelas rádios, pelas TVs. T

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