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Formado em física segue carreira de professor, pesquisador ou financeira

Profissão exige matemática e curiosidade pelos fenômenos naturais

| ViaEPTV

Todos os fenômenos da natureza, desde os microscópicos até os cósmicos, podem ser objetos de estudo e trabalho da física. Por isso, quem pretende seguir a carreira deve ter, como característica indispensável, a curiosidade, e usar a matemática como sua principal ferramenta.

No entanto, embora seja uma disciplina clássica no currículo básico do Ensino Médio, a profissão de física ainda não é regulamentada no Brasil, e o investimento em pesquisa é pequeno. Atualmente, a principal demanda por físicos é no cargo de professor de colégios e faculdades.

Segundo o físico Cláudio Furukawa, que trabalha no Laboratório Didático do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e é professor de física do curso de química do Centro Universitário Fieo (Unifieo), o estudante de física "deve ser, no fundo, um cara curioso, querer saber o que está acontecendo à sua volta e descobrir fenômenos que acontecem no nosso dia a dia", além de ser paciente para repetir os experimentos e cálculos.
 
"Uma das ferramentas para esse olhar curioso é a matemática", diz o professor. Segundo ele, as fórmulas matemáticas são o principal instrumento usado pelos físicos para desvendar a relação de causa e efeito entre os diferentes elementos envolvidos em um fenômeno natural.
 
Furukawa afirma que, na física, o importante é a descoberta, e não a aplicação prática dela. Segundo ele, quase todas as aplicações de funções básicas da física, como o funcionamento de uma usina hidrelétrica, ou a porta de uma geladeira, nasceram a partir da descoberta de um cientista que, na época, jamais vislumbrou esses usos.
 
"A geração de eletricidade de uma usina hidrelétrica, a descoberta de que a variação de um campo magnético perto de um fio ou bobina gera eletricidade, foi descoberta por [Michael] Faraday sem que houvesse uma aplicação prática na época", diz o professor, que fez pós-graduação em energia.
 
Além da área de eletromagnetismo, que engloba os estudos da eletricidade, do magnetismo e da óptica, Furukawa explica que o físico pode se especializar, durante a graduação, o mestrado e o doutorado, em outros campos, como a mecânica, o plasma e a termodinâmica.
 
O profissional da física pode estudar "desde como funcionam as leis que regem o universo, que seria a astrofísica", até "entrar na nanotecnologia, na estrutura do átomo, nas partículas elementares", passando pela biofísica, pela geofísica, pela física médica e pela econofísica. "Tem vários ramos em que a física pode atuar."

Falta de regulamentação

O professor conta, porém, que a profissão ainda não é regulamentada, e que o Brasil é um dos países que historicamente investe pouco em pesquisa e desenvolvimento. Isso acaba afetando o rumo da carreira de quem opta pelo curso.
 
"Infelizmente, o mercado é um pouco restrito. Talvez seja pelo fato de não existir uma profissão de física. Na verdade, é uma profissão que não existe, não é regulamentada."
 
Segundo ele, em países como o Japão, o físico é mais valorizado que o engenheiro, porque o primeiro é quem produz o conhecimento, e o segundo o aplica. "Lá a física é muito mais difícil e concorrida que a engenharia. A riqueza do Japão é o conhecimento, que é gerado através da pesquisa", diz.
 
Já a realidade brasileira é bem diferente, de acordo com o professor do Laboratório Didático. "A indústria brasileira não tem investimento na área de pesquisa, então a pesquisa muitas vezes vem de fora, e o que há hoje é mais a aplicação [da pesquisa], que os engenheiros fazem muito bem."
 
Futuro da profissão

Por isso, ele afirma que a maior parte dos formados em física acaba seguindo a carreira acadêmica e de docência, depois de concluir a licenciatura.
 
"A grande maioria vai dar aula em colégios e faculdades, e outra parte entra na área financeira, a econofísica." A alternativa tem atraído profissionais da área porque, de acordo com Furukawa, "o estudante de física tem muita facilidade em matemática e na área computacional. Muitos modelos que se usa hoje na economia utilizam princípios da física. Assim como a termodinâmica, a mecânica, a estatística, existem modelos aplicados na economia e na bolsa de valores".
 
Mas o professor acredita que o futuro da física está no sistema de ensino básico. Como a carreira está desvalorizada, Furukawa diz que há carência enorme de professores de física. "No futuro, acredito que haverá um grande déficit desse tipo de profissional. Todo mundo diz que o futuro do país é a educação, então acredito que o Brasil vai precisar de mais professores do Ensino Médio."

 

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