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Programa prepara universitários para o empreendedorismo

Durante seis meses, 24 jovens receberão orientação para criar soluções a partir do zero para desafios propostos a eles

| Da Redação

Jovens participam de atividade do programa Radar Empreenda, do Santander, realizada antes da pandemia
 

O empreendedorismo é um caminho escolhido por muitos jovens. Uma indicação dessa tendência é o projeto Radar Empreenda, do Santander Brasil: das mais de 1.600 inscrições recebidas, cerca de 85% foram de universitários. E dos 30 que participaram da seleção final, 24 estão nos primeiros anos da faculdade. 


O programa dura seis meses e tem como objetivo apoiar "pré-empreendedores" e universitários a expandirem seus negócios.  


Os jovens criarão do zero soluções baseadas nos desafios propostos pelo Santander, com suporte e mentoria de profissionais experientes do mercado financeiro. "Ficamos surpreendidos positivamente na quantidade de talentos que existem entre os jovens brasileiros e participar do sucesso de alguns será extremamente compensador e inspirador", afirma o head do Santander Universidades, Nicolás Vergara.  


Uma das selecionadas é Bárbara Mariana da Silva Barros, 19 anos, que cursa o segundo ano da faculdade de Administração Pública, no Rio de Janeiro. Sempre teve atração pelo mundo do empreendedorismo, cuja maior influência veio de um tio que a presenteou com o primeiro livro sobre o tema. No ano passado, Bárbara participou da competição de tecnologia para meninas Technovation Girls. "Me apaixonei de vez e surgiu a vontade de montar uma startup, mas não sabia como começar. Aí, surgiu o Radar", diz.  


A estudante foi a primeira pessoa de sua família a ingressar em uma faculdade pública. "Meus pais tiveram uma vida difícil e minha mãe só conseguiu se formar depois de casada e com filhos. Então, eles sempre tiveram a preocupação de nos estimular a estudar e conquistar independência financeira", frisa.  


A experiência no Radar para Bárbara tem aberto portas. "O incentivo eu já tinha da minha família, mas faltava uma direção. O apoio de grandes empresas é fundamental para tirar todas as ideias do papel e muda a nossa visão de como funciona, de fato, o mundo dos negócios e das finanças", argumenta Bárbara, que inclusive é investidora na Bolsa de Valores.  


A meta da jovem para daqui a alguns anos é estar à frente de uma startup unicórnio que tenha impacto social. "Sempre fiz trabalho voluntário e acho importante tentar retribuir para a comunidade e todas as pessoas que me ajudaram a crescer e chegar onde estou".  


Inovação e transformação digital 

De acordo com dados mais recentes do relatório Global Entrepreneurship Monitor, 2/3 dos estudantes universitários já encaram empreender como uma opção de carreira. Para Marcone Siqueira, sócio e cofundador da The Bakery, o interesse de pessoas cada vez mais jovens pelo empreendedorismo significa que o país está com o pé no acelerador da transformação digital. "Mostra que essa nova geração tem acompanhado as oportunidades crescentes desse mercado. A juventude está ouvindo o que falamos sobre o potencial da inovação no Brasil e, se quisermos consolidar o país na vanguarda, precisamos incentivar esse diálogo na mídia, nas empresas, em casa, onde for possível".  


As gêmeas Carolina e Bruna Robledo, de 19 anos, residentes de Tupã, no interior de São Paulo, por sua vez, estão no 5.º semestre das faculdades de Matemática Aplicada e Computacional e Física Computacional, respectivamente. Ambas, selecionadas pelo programa, se apaixonaram pelo empreendedorismo já no ensino médio, quando participaram da mesma competição de Bárbara, em que desenvolveram aplicativos de educação com linguagem mais acessível para estudantes da rede pública de ensino, com foco em matemática.


"Nossa geração quer um ambiente mais moderno e livre para liderar. E a tendência atual é vermos cada vez mais pessoas empreendendo. As redes sociais mostraram que é possível começar seu negócio e divulgá-lo para milhões de pessoas, por exemplo", explica Carolina, complementando que a pandemia tornou as coisas mais flexíveis, possibilitando a muitas pessoas criarem suas empresas do zero.  


João Crescione, de 20 anos, teve uma trajetória um pouco diferente. Cursando Ciências Biomédicas, em Ribeirão Preto, o desejo de empreender só surgiu nos últimos seis meses. João conta que, antes, se identificava muito pouco com esse universo. "Além de eu querer seguir uma carreira tradicional, eu tinha até certo preconceito. Tudo parecia muito estereotipado. É como se muitos empreendedores já nascessem direcionados, vindo de famílias empreendedoras e com condições financeiras para esse investimento. Eu vim de um background muito diferente. Minha família sempre quis que eu garantisse um bom emprego para me sustentar".  


A virada de chave aconteceu quando João cursou uma disciplina na faculdade sobre o tema. Embora tenha fortes críticas à forma pela qual o conteúdo foi passado, foi graças à experiência que ele resolveu buscar se aprofundar no tema. "Comecei a ler mais sobre o assunto por conta própria e me apaixonei. O que me atrai no empreendedorismo é a possibilidade de ser criativo, desde que isso tenha um impacto positivo na sociedade. Quero deixar minha marca no mundo, mudar vidas e sair das amarras do mercado tradicional", afirma.  


No Radar, ele conta que tem tido a chance de falar com pessoas inspiradoras e aprender coisas que não teria oportunidade através de outras iniciativas. "É difícil empreender no Brasil, mas é justamente por isso que eu quero ser um case de sucesso".