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Desigualdade regional é tema da redação do Enem digital

Confira os comentários e análise da coordenadora de Redação do Curso Poliedro, parceiro do Virando Bixo

| Da Redação

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibilizou, na íntegra, as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) digital aplicadas hoje (31). 


Como não há material de impresso, as provas deste primeiro dia da versão digital do exame estão disponíveis no portal do Inep, para download e consulta.   

 
Candidatos do Distrito Federal e do Tocantins publicaram posts nas redes sociais informando que houve problema no sistema de aplicação e não conseguiram fazer o exame e que foram orientados a remarcá-lo.


Os estudantes fizeram a prova de linguagens e ciências humanas, com 45 questões cada. Além disso, fizeram a prova de redação, que nesta edição, foi feita à mão. O tema foi "O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil".  


No próximo domingo, os candidatos inscritos para fazer o Enem digital vão farão as provas de matemática e ciências da natureza. Os cadernos de prova do segundo dia também serão disponibilizados na internet depois da aplicação do exame.  


O gabarito oficial será divulgado no dia 10 de fevereiro.  

 

 

Os cadernos de prova do Enem digital estão disponíveis para download no site do Inep


Confira o comentário da coordenadora de Redação do Curso Poliedro, Gabrielle Zanardi:  


Em primeiro momento, é importante lembrar que a desigualdade regional no Brasil se explica por um viés histórico: nunca houve um plano que considerasse as particularidades das regiões, individualmente, buscando um resultado coletivo - que, de fato, elevasse a nação a uma potência.  


O processo de industrialização, por exemplo, deu a São Paulo o posto de grande centro do desenvolvimento, inclusive atraindo mão de obra de outras regiões - isso, com o passar dos anos, poderia ter cessado se houvesse investimento e propulsão dos setores para que a população dessas regiões não fosse obrigada a migrar em busca de melhores condições de vida. Fato é que esse plano nunca aconteceu. Ora Rio de Janeiro por ser capital, ora São Paulo graças ao processo de industrialização já mencionado - sempre houve foco direcionado e não abrangente no que tange ao desenvolvimento nacional.  


Outra prova disso são os índices de analfabetismo, que configuram-se, há décadas, significativamente maiores nas regiões Norte e Nordeste - resultado de pouco ou nenhum investimento educacional em áreas mais carentes.
Qualquer resolução proposta pelo aluno para diminuir essas lacunas precisaria considerar investimento massivo e planejamento além do eixo Rio-São Paulo. É importante destacar que todas as regiões brasileiras têm potencial para desenvolvimento; porém, seguem à mercê de agentes econômicos.  


Além disso, a presença, nos textos-base da prova, do geógrafo Milton Santos, autor da obra "Por uma outra globalização", discutido em aulas prévias, norteava o aluno para a junção entre a questão econômica e o papel do sistema capitalista na manutenção das desigualdades.
 

* Com informações da Agência Brasil