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Formação do médico precisa combinar inovação e humanização

Envelhencimento da população exige que profissional seja capaz de atuar na promoção de saúde e na prevenção de doenças

| Da Redação

Uma tendência em alta nos cursos de medicina é formar alunos para atuarem na promoção de saúde e na prevenção de doenças. Isso é importante para a qualificação do profissional. Cada vez mais, os médicos precisam estar preparados para enfrentar de maneira adequada os problemas de saúde e dialogar com a imensa produção e oferta de informações do mundo atual.

A promoção de saúde e a prevenção de doenças são duas dimensões do trabalho do médico que devem ser tornar cada vez mais importantes, como destacou o médico Giovanni Guido Cerri, doutor em Radiologia e membro do Conselho Consultivo do curso de medicina da UniMax, em recente palestra na instituição.

"Apesar da mudança positiva em alguns hábitos de vida, a população brasileira ainda está exposta a fatores de risco preocupantes. A eliminação total de fatores de risco poderia levar a uma economia de R$100 bi/ano no tratamento de doenças crônicas, valor equivalente ao rombo das contas públicas em 2015", observa Cerri.

Segundo o médico, por causa da necesside de melhorar a promoção de saúde e a prevenção de doenças, o Brasil precisa trabalhar fortalecer alguns aspectos. Um deles é a integração de dados do paciente e identificação de perfis de risco em programas de enfermeiros e médicos da família. Esses programas podem diminuir a taxa de mortalidade de certos grupos de risco em até 70%.

Outro ponto citado por Cerri são as campanhas e políticas, incluindo, inclusive, técnicas de reforço positivo e o papel ativo do empregador, a partir de incentivos financeiros que gerem benefícios mútuos. Esses processos reduzem de 20% a 30% as taxas de admissão e custos por paciente.

O médico também indicou outras iniciativas que podem contribuir para a mudança do quadro, chamando a atenção para a contribuição que o setor privado pode dar, especialmente para o desenvolvimento de novos modelos de atenção aos idosos.

"Até 2030, a população brasileira acima de 60 anos deverá triplicar aproximando a do Japão atual. Para acompanhar o novo perfil populacional, o Brasil precisa expandir os modelos de atenção aos idosos, a exemplo dos países desenvolvidos", diz. Nesse contexto, o sistema precisa lidar com a tripla carga de doenças, que envolvem as crônicas, infecciosas e causas externas.  

Alunos durante atividade na UniMAX


A formação do médico
Nesse contexto, os cursos de medicina precisam adotar novas estratégias pedagógicas, como a aprendizagem a partir de problemas prevalentes na prática médica. Nessas atividades, os estudantes têm de explicar os problemas e construir projetos de intervenção para enfrentá-los.

Para isso, além das atividades práticas em laboratórios e clínicas, a UniMAX estimula os estudantes a intervir nos problemas de saúde. "Com os laboratórios de iniciação científica, empreendedorismo, gestão em saúde, saúde baseada em evidências e educação em saúde ampliamos as possibilidades de intervenção nos problemas de saúde identificados", explicou a coordenadora do curso de Medicina, Valéria Vernaschi Lima.

Outra linha de trabalho é a inserção dos estudantes em equipes reais de unidades de saúde do município de Indaiatuba, onde fica a instituição. "Desde o primeiro ano, os estudantes participam de atividades nos hospitais e serviços de saúde conveniados com a UniMAX visando compreender e utilizar a rede de atenção à saúde no cuidado aos pacientes que acompanham nas unidades básicas", detalha Valéria.

Dessa maneira, os estudantes são preparados para identificar necessidades de saúde das pessoas antes de os problemas atingirem estágios irreversíveis ou deixarem sequelas irreparáveis. Afinal, como destacou o Cerri, em sua palestra, embora a tecnologia esteja disponível, os serviços de saúde chegam tarde no cuidado aos pacientes, quando os problemas já estão em estágios avançados e com grande comprometimento da saúde das pessoas.

"Considerando que o perfil de mortalidade no Brasil apresenta um predomínio de doenças crônicas relacionadas aos hábitos de vida, os médicos do futuro deverão associar inovação com humanização", analisou a coordenadora .

Desse modo, uma prática voltada à inovação deve dominar ferramentas digitais, o acesso às informações científicas, os sistemas de inteligência artificial e o trabalho em equipe visando a oferta de melhores propostas terapêuticas. Ao mesmo tempo, uma prática humanizada deve estar pautada em uma atuação ética e empática no cuidado de cada paciente, família ou grupo social, considerando os processos educativos que visam promover hábitos de vida mais saudáveis. "Somente um currículo orientado por competência, baseado na prática e em metodologias ativas é capaz de dar esse tipo de resposta para a sociedade: inovação e humanização", conclui Valéria.