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Stefanie: "Estudo para fazer a diferença para meu povo"

Estudante de Ciências Econômicas, pertence à Pira-tapuya, é uma das 66 ingressantes do Vestibular Indígena da Unicamp

| Da Redação

Stefanie tem 18 anos e deixou São Gabriel da Cachoeira, no Alto do Rio Negro, localizada na fronteira do Brasil e da Colômbia região conhecida como Cabeça de Cachorro para cursar Ciências Econômicas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ela faz parte de um grupo de 66 estudantes que ingressaram na universidade em 2019 por meio do Vestibular Indígena.   

A estudante Stefanie (centro), durante palestra da 1.ª Semana dos Acadêmicos Indígenas da Unicamp

Ela pertence à etnia Pira-tapuya, composta por 1.325 indígenas que vivem no Brasil. "Pira-tapuya significa homens-peixes", explica Stefanie para uma palestra composta por estudantes da Unicamp que assistiram a uma palestra da 1ª Semana dos Acadêmicos Indígenas da Unicamp, realizada entre 15 e 17 de abril. O evento, concebido e realizado pelos próprios estudantes indígenas, teve o objetivo de ampliar a visibilidade do grupo na universidade e de promover intercâmbio cultural, por meio de debates e atividades culturais.
 

 Para ela, estudar na Unicamp é uma oportunidade única. "Quando as portas se abrem, a gente tem que aproveitar", diz a estudante. "Eu já tinha o desejo de fazer uma faculdade, mas lá no Amazonas". Segundo ela, o Vestibular Indígena da Unicamp abriu seus horizontes. "A Unicamp é a melhor universidade da América Latina. Não podia deixar passar essa chance".  


Como sempre morou em São Gabriel da Cachoeira, Stefanie frequentou escolas públicas comuns, por isso é fluente em português. A língua original de sua etnia, contudo, perdeu-se, ao longo do tempo, então seu povo fala a língua Tukano.  


Stefanie conta que está feliz. "Essa conquista não é só minha, é do meu povo". Embora o dia-a-dia seja cheio de desafios. "Eu gosto do curso, mas tem muitos momentos desafiadores". Apesar idisso, ela não se deixa intimidar. "São desafios que todos os estudantes enfrentam".  

Quando concluir o curso, ela pretende voltar para sua terra. "Quero fazer a diferença lá".

Uma minoria crescente  

Os indígenas são minoria no universo de cerca de 8 milhões de universitários no Brasil, mas sua participação vem crescendo: desde 2018, o número de estudantes indígenas que ingressaram na educação superior no país aumentou 842%, proporção muito maior do que o aumento do total da ingressantes (48%). O cálculo foi feito pelo Quero Bolsa, com base em dados do Censo da Educação Superior.  

Em 2017, 2.723 ingressantes declararam ser indígenas. Em 2017, dado mais recente disponível, foram 25.670.
Segundo o estudo, os cursos mais procurados pelos indígenas são Direito, Enfermagem e Administração na modalidade presencial. Considerando os cursos, a distância, os preferidos são Pedagogia, Ciências Contábeis e Administração.
Em 2017, a maior parte dos estudantes indígenas concentrava-se no estado de São Paulo (4.310).