Fisioterapia é mais do reabilitar o paciente, é motivá-lo

Possibilidades de inserção no mercado de trabalho não se limitam às clínicas, afirma a fisioterapeuta Bárbara Molines, que atua em dermatologia funcional

    • Da Redação
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    • Marta Avancini

Formada há dois anos pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), a fisioterapeuta Bárbara Angioletto Molines, de 26 anos, atua na área de dermatologia funcional. "O curso correspondeu a todas as minhas expectativas e trouxe muito mais do que eu esperava. Não imaginava que, como fisioterapeuta, pudesse trabalhar em áreas como ginecologia, UTI, pediatria e, principalmente, com dermatologia funcional", conta a jovem. "São muitas possibilidades. A gente não faz ideia!" . 

Bárbara explica que a dermatologia funcional promove a reabilitação de tecidos, pele, musculatura. "Nem mesmo na faculdade essa área foi apresentada como realmente é. A gente acha que é mais voltado para a estética, mas muito pelo contrário!".  

A decisão de se especializar nesta área surgiu num estágio que fez numa clínica dermatológica durante boa parte do curso. "A clínica me abriu as portas. Eu entrei com o intuito de ver como é clinicar eu fui ficando. Faz oito anos que estou lá. Trabalho com uma dermatologista", detalha.  

O estágio não estava vinculado ao curso. "Foi um estágio por conta. O curso era período integral. Eu ia muito conforme a disponibilidade". Segundo Bárbara, o estágio foi fundamental não só para definir sua área de atuação após formada, mas também para ter uma vivência de como é o mundo do trabalho.   

A fisioterapeuta Bárbara Angioletto Molines

"Foi fantástico e deu pra levar numa boa a faculdade junto com o estágio, mesmo estudando muito. Essa experiência da realidade é fundamental. Teoria é uma coisa, a prática é bem diferente. Se você tem a experiencia logo no começo, você entra de cabeça na área e amadurece".  

Feita a escolha da área de atuação, Bárbara, procura aprofundar-se cada vez mais: durante o estágio fez vários cursos específicos e, depois de formada, fez uma pós-graduação em dermatologia funcional.  

Hoje, Bárbara está feliz com a escolha profissional, mas a fisioterapia não foi sua primeira opção. No terceiro ano do ensino médio, tinha a intenção de cursar educação física. "Fiz esportes muito tempo, fiz dança contemporânea, natação, além de vôlei. No entanto, eu queria mais do que o esporte, queria algo que estudasse como o corpo humano funciona por dentro. Comecei a pesquisar e percebi que Fisioterapia era mais a minha praia", lembra.  

Quando entrou na faculdade, sua intenção era trabalhar com reabilitação e, aos poucos, foi amadurecendo suas escolhas.
Uma das experiências mais desafiadoras e marcantes ao longo do curso, foi trabalhar na UTI do hospital da universidade. Ela conta que na PUC-Campinas, desde o primeiro ano, os estudantes têm contato com paciente, sob supervisão, e progressivamente vão atendendo os pacientes do hospital.  

Ela não se sentia confortável no hospital, embora tivesse clareza da importância do trabalho do fisioterapeuta para a recuperação da saúde. "O hospital tem várias áreas, mas o bicho-de sete-cabeças para todo mundo é a UTI. Eu achava o clima pesado, mas nossa função é dar força para o paciente, mostrar que ele é capaz, motivá-lo". 

No quinto ano, quando começou a atuar na UTI, sua visão mudou. "Na UTI eu me vi muito motivada, os pacientes mais debilitados eram aqueles de que eu mais gostava. UTI é igual trabalhar com criança, porque um pouquinho que você faça, a resposta vem rápido. Então, é muito motivador. É demais! Você sente que realmente está fazendo algo para a pessoa, para a família!". A experiência foi tão positiva que ela chegou a ficar em dúvida sobre seu rumo profissional - UTI ou dermatologia funcional, mas a segunda opção prevaleceu. 

Para quem pensa em fazer fisioterapia, Bárbara recomenda: "Se você gosta, caia de cabeça. É uma área incrível! Escolhi porque quero doar um pouco da minha alegria e força para ajudar as pessoas melhorarem. Fisioterapia não é um curso de pessoas frustradas porque não entraram em medicina!".  

Segundo ela, é verdade que, quando os alunos saem da faculdade a sensação é a de "falta de chão". "A gente sente um pouco de medo e uma frustração porque quer que as coisas aconteçam rapidamente. O que eu tenho para dizer é que nada cai do céu". A persistência é a chave do sucesso: "É exatamente aquela história. Não existe desemprego, se você sabe o que quer. Se você desistir, vai ter desemprego".  Seu projeto, além de atuar na clínica, é montar seu próprio negócio.

Como ela diz, cada curso atende a um perfil, mas o diferencial da fisioterapia é a relação da medicina com a fisioterapia. "O médico diagnostica, mas quem vai levantar a pessoa no pré ou no pós-operatório é o fisioterapeuta. Sem ele a cirurgia pode dar errado. O fisioterapeuta é quem acompanha o paciente antes e depois e tem um papel fundamental para o sucesso ou não da intervenção".



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