USP e Unicamp: como as novidades afetam os "não cotistas"?

O professor Marcelo de Castro, orientador do Elite Pré-Vestibular Campinas, analisa o impacto das mudanças das regras para inscrição e provas

    • Da Redação
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    • Marta Avancini

Dois dos principais vestibulares, o da Fuvest e o da Unicamp, mudaram as regras para inscrição e ingresso este ano. No caso da Fuvest, que seleciona os alunos da Universidade de São Paulo (USP), também haverá mudanças na segunda fase, que será realizada em dois dias ao invés de três.  

Em meio a tantas novidades, surge uma pergunta, especialmente para os candidatos que não se enquadram em nenhuma das categorias beneficiadas por cotas, bônus ou por outras alternativas de seleção: afinal, ficou mais difícil ingressar na USP e Unicamp? Para esclarecer suas dúvidas, o Virando Bixo entrevistou o professor Marcelo Fernando Nogueira de Castro, que leciona Biologia e atual como orientador de estudos no Elite Pré-Vestibular Campinas.  

O professor Marcelo Castro, do Elite Pré-Vestibular Campinas

Como proceder na hora da inscrição para os vestibulares da Fuvest e da Unicamp, já que são várias as opções em 2019?
O candidato deve se inscrever no curso que quer. Parece óbvio, mas alguns alunos escolhem outros cursos com matérias afins, acreditando que poderão fazer uma transferência uma vez aprovado. Mas isso não é garantido!  


Além disso, somente quem é adequado ao perfil de cotistas deve usar esta modalidade de inscrição, uma vez que quem usar o benefício e não tiver o direto poderá ser desligado por fraude se for descoberto. O mesmo vale para as bonificações, para evitar dor de cabeça, escolha o perfil correto! Os documentos referentes ao ensino médio serão cobrados no ato da matrícula.  

No caso da Unicamp, na hora de marcar a segunda opção, há cursos em que normalmente não ingressam alunos de segunda opção, porque as notas dos alunos em primeira opção são altas.  

Minha dica é: consulte manuais dos anos anteriores. Ao se inscrever para a Unicamp, na segunda opção coloque um curso em que normalmente são chamados candidatos de segunda opção, para não queimar essa possibilidade.

Vale a pena deixar de fazer o vestibular convencional e tentar uma vaga apenas por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)?
As universidades vêm reservando algumas vagas para o Enem. Por um lado, isso gera uma diminuição do número de vagas para quem vai ingressar via vestibular próprio, mas, por outro, os candidatos também podem disputar essas vagas via Enem. Não é uma diminuição real.

É possível concorrer em mais de uma modalidade de ingresso?
Sim, é sim possível concorrer. Uma via é o vestibular e outra via é Enem. No caso da Unicamp, ainda existe a possibilidade de usar o desempenho em olimpíadas científicas. É possível sim concorrer em mais de uma modalidade, e é recomendável que o aluno concorra em várias modalidades.

Vale a pena não prestar o vestibular convencional e tentar a vaga apenas via Enem?
De forma alguma! O aluno tem que tentar nas duas vias de ingresso. Maximiza as chances e, além disso, são provas diferentes, com características diferentes. Ele pode não se dar bem em uma prova, mas ainda tem a outra.

No caso da Unicamp, foram criadas várias opções de ingresso (cotas, vestibular indígena, ingresso pelas olimpíadas científicas). Isso torna mais difícil passar da primeira para a segunda fase?
Independentemente de cotas e outros sistemas de ingresso alternativos, o que faz a diferença é o preparo do aluno. Preparo do ponto de vista de conteúdo, se o aluno muitos exercícios e revisões ele estará mais preparado para fazer a prova.  

Além de dominar o conteúdo, um fator fundamental para encarar a prova é gerenciar o tempo. Muitos alunos sabem o conteúdo, mas não têm um desempenho tão bom porque não sabem gerenciar o tempo.  

Também é importante ter as emoções sob controle, sem nervosismo excessivo.  

Tudo isso é importante para ter o bom desempenho, pois os vestibulares são provas de resistência, que duram várias horas. O candidato mais bem preparado é aquele que reúne todas essas características.

Está mais difícil ingressar na USP e na Unicamp para quem participa do vestibular tradicional?
Sim, está mais concorrido. Na Unicamp, 15% das vagas foram destinadas a cotistas. Dependendo das notas dos candidatos, essa proporção pode chegar a 27,2% , segundo o manual. Por isso, há uma diminuição da quantidade de vagas para os restantes. Fica mais concorrido, mas o aluno não deve pensar nisso por vários motivos: não ajuda e influencia negativamente na disposição para o estudo. Se for pra ficar pensando nisso, que seja para estudar com mais garra e afinco.

Há alguma orientação específica para a primeira fase?
Esta etapa é composta por questões de múltipla escolha. As questões de todas as disciplinas têm o mesmo valor, independentemente da carreira.  

O aluno pode começar a prova pelas disciplinas que tem mais domínio, aquelas que acerta mais, a fim de aproveitar bem os pontos disponíveis. Esse é um bom investimento do tempo.  

Se consegue explorar bem esses pontos disponíveis, num menor tempo, ele vai se sentir mais confiante e ter a tranquilidade necessária para atacar disciplinas nas quais têm mais dificuldade. Esta é uma estratégia de prova que pode ter impacto grande na nota final.

O fato de a segunda fase da Fuvest passar a ser em dois dias, a partir do Vestibular 2019, torna a prova mais fácil ou mais difícil?
Essa mudança atinge todos os alunos, os que vão participar do vestibular de ampla concorrência e quem cotista. Na minha opinião é a mudança mais relevante de todas as que foram anunciadas pela Fuvest.  

Segundo as novas regras, a segunda fase será apenas em dois dias e no segundo dia serão realizadas as provas específicas da carreira que escolheu. Então, dependendo da carreira, o candidato pode encontrar até quatro disciplinas para fazer.  

Muitos alunos balizam a escolha de carreira tendo por base as matérias que vão encontrar na segunda fase. Alguns acabam desistindo de uma determinada carreira quando percebem que a prova da segunda fase inclui disciplinas que não dominam.

Em contrapartida, uma vez divulgadas as disciplinas para cada carreira, os candidatos podem voltar seus estudos para essas disciplinas, aumentar a dedicação para estarem mais bem preparado na segunda fase.

Como fica a prova de Língua Portuguesa no Vestibular da Fuvest 2019?
A retirada de um dia de provas da segunda fase afeta o peso de Língua Portuguesa no vestibular como um todo. Esta disciplina passa a ter um peso maior.  

Considerando o primeiro dia da segunda fase, mais as questões de Língua Portuguesa na primeira fase, Português e Redação acabam respondendo por mais de 1/3 da nota final. Saber disso serve para orientar os candidatos.  

Como o impacto da nota de Português será maior, o candidato deve se dedicar mais ao estudo dos conteúdos dessa disciplina.
 



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