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À frente das bandas Inocentes e Plebe Rude, Clemente acha tempo para CD solo

No recém-lançado "Antes que seja tarde", ele mostra seu lado mais pop

| ViaEPTV -

Clemente Nascimento anda de muito bom humor. Fácil de perceber pela quantidade de risos na entrevista abaixo. Ao que parece, o volume gigante de trabalho a que vem se propondo essa figura ilustre da cena punk rock brasileira só está lhe fazendo bem. Baixista do Restos de Nada, que surgiu em 1978 e é considerado o primeiro grupo punk paulista, ele passou pela N.A.I., que depois virou Condutores de Cadáver, e em 1981 fundou o Inocentes, banda que o consagrou no cenário nacional.

Atualmente, além do Inocentes, está à frente da Plebe Rude e tem se dedicado ao seu primeiro projeto solo, Clemente e A Fantástica Banda Sem Nome, que em agosto lançará, pela Hearts Bleed Blue, o disco “Antes que seja tarde”. No álbum, que gravou com os veteranos Joe Gomes (ex-Pitty) no baixo, Johnny Monster (Daniel Belleza e Corações em Fúria) na guitarra e Rodrigo Cerqueira (ex-Skuba e Firebug) na bateria, Clemente desova canções que acreditou que não se encaixariam em seus trabalhos anteriores. É seu lado mais pop. Simultaneamente ao dia a dia com suas bandas, ele apresenta o “Filhos da Pátria” na Kiss FM, o “Show Livre” e o “Heavy Lero” – este com Gastão Moreira – na internet e faz bicos como DJ. Enfim, o cara está em todas.

A seguir, Clemente fala mais sobre esta fase workaholic.

Você está à frente de duas bandas e apresenta programas na rádio e na internet. Agora está tocando também seu projeto solo. Como arruma tempo pra tudo isso?
Na verdade, não tenho tempo pra nada. [Risos] Tô meio maluco, esquecendo as coisas. Nenhuma dessas atividades toma todo o meu tempo, então acabo dando um jeitinho. [Risos]

Por que decidiu, depois de tantos anos, finalmente realizar um trabalho solo?
Era uma coisa que faltava, pois tenho várias canções que não se encaixavam em nenhuma banda e é legal poder gravar músicas livremente, sem ter aquela responsabilidade de representar isso ou aquilo, mas apenas se expressar. É como diz o nome do disco, “Antes que seja tarde”. [Risos] Estou terminando um livro junto com o Marcelo Paiva e aí o ciclo está completo. Já estou quase na terceira idade, tinha que terminar todas essas coisas. [Risos]

Você acredita que os fãs mais tradicionais do seu trabalho vão estranhar a sonoridade de “Antes que seja tarde”?
Não faço ideia se vão estranhar ou não, mas a proposta de um trabalho solo é justamente essa, trabalhar com elementos diferentes do que você já trabalha na sua banda original. Esse é o barato e a curtição. Às vezes, você atinge um público completamente diferente, o que é legal também. E na verdade os elementos que usamos permeiam o punk, a estrutura também é simples, até agora ninguém se assustou.

Como foi a escolha dos músicos que te acompanhariam com A Fantástica Banda Sem Nome?
Foi bem simples. Chamei amigos de longa data, de quem eu gosto e que gosto de ver tocando. Sou fã dos caras, e deu super certo. É fantástico tocar com eles.

Tanto o Inocentes como a Plebe Rude fizeram sucesso nos anos 80. Além da galera que acompanha essas bandas desde aquela época, hoje, na rádio e na internet, você fala também pra um público mais jovem. Quem você acredita que alcançará com o disco solo?
Cara, tanto Plebe como Inocentes têm um mix incrível de público jovem com um mais velho. Vemos isso nos shows, senão não duraríamos tanto tempo. Não faço ideia de que tipo de público vou atingir. Espero que seja um que goste de música boa, não importa a idade. Tudo é uma questão de ponto de vista: tenho 53 anos, um cara de 40, 35, pra mim, é jovem. [Risos]

Por falar nisso, a quantas anda o Inocentes? Tem disco novo pintando?
Lançamos o “Sob controle” faz dois anos e estamos preparando um disco para comemorar 35 anos. Vamos começar a produzir agora, só com regravações. Não temos mais pressa, estamos fazendo bastante shows.

E na Plebe Rude, o que está rolando de novidade?
A Plebe, a mesma coisa. Lançamos “Nação daltônica”, estamos divulgando o disco, fazendo bastante shows. Estreou um documentário da banda no Canal Brasil e estamos preparando um EP de inéditas e algumas surpresas, como um novo DVD.

Hoje você se considera mais um músico que também trabalha como apresentador ou vice-versa? E qual das duas funções têm te dado mais prazer?
Sou músico, e não apresentador. Aliás, faço tudo errado como apresentador. [Risos] Apresento tudo com visão de músico, de quem é da cena, e faço questão de que as pessoas me vejam assim. Estou adorando fazer o programa de rádio, me divirto muito e consigo divulgar muita gente de quem eu gosto, mas tenho prazer em tudo que eu faço, como o “Heavy Lero” com o Gastão. Também é divertido, mas isso não quer dizer que eu não tenha bastante trabalho pra fazer cada uma dessas coisas.

Você terá tempo para uma turnê de “Antes que Seja Tarde”?
Espero que sim. [Risos] É assim que venho tocando a vida nos últimos anos. Nesta semana, faço um acústico com o Ronaldo do Inocentes no Partisans (pub paulistano), saio de lá e vou tocar com o Inocentes em Santo André, de madrugada. Na semana que vem, quarta vou para Presidente Prudente com o Kid Vinil, quinta vou para Brasília com a Plebe Rude e sexta discoteco em dois lugares em São Paulo. Logo mais a Fantástica Banda se encaixa nesse rolo todo. [Risos] O problema maior é lembrar de todas as datas e resolver a logística de deslocamento, mas vai ter show, sim.

Tem planos de gravar outros discos com A Fantástica Banda Sem Nome?
Com certeza. É um projeto que está apenas começando, tem várias músicas desse disco que surgiram depois que começamos a ensaiar, umas canções antigas que eu tinha guardado pra um disco solo, ou seja, a banda deu liga, funciona e vai render muitos frutos. 

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