Noticias

Medicina é a graduação com menor inclusão de negros

Em 2018, os negros correspondem a 24,6% dos matriculados no curso; no ensino superior como um todo, eles eram 35,7%

| Da Redação

O número de estudantes negros e pardos na educação superior está aumentando significativamente. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), eles são 50,3% dos 2,19 milhões de estudantes matriculados.  


Outra análise, realizada pelo site Quero Bolsa, revela que os negros (pretos ou pardos) são 40% dos matriculados nas instituições públicas - sendo 8,9% pretos e 31% pardos. Os dados são do Censo da Educação Superior 2018 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).  


Embora cheguem a resultados diferentes, os estudos mostram um avanço significativo da presença de negros no ensino superior público,  em grande parte, por causa da Lei das Cotas de 2012, que reserva 50% das vagas das universidades federais para egressos da rede pública (onde os estudantes negros tendem a se concentrar).
 


Distribuição desigual  

Apesar da boa notícia, as matrículas de pretos ou pardos não se distribuem igualmente entre os cursos. Dependendo da carreira e da concorrência no vestibular, o número de estudantes pretos ou pardos pode ser maior ou menor.  


O levantamento do Quero Bolsa, plataforma que oferece bolsas de estudos, mostra que o curso de medicina é o que tem a menor proporção de estudantes negros (pretos ou pardos). A análise considera cursos de instituições públicas e privadas.  


De acordo com o estudo, em 2018, 24,6% dos alunos de medicina eram negros contra 8,4% em 2010. O aumento é significativo (194%), mas é menor do que o verificado no ensino superior como um todo: de 276,7% (a taxa era de 9,5% em 2010 e passou para 35,7% em 2018)  


Esse fato está ligado ao elevado custo das mensalidades e à duração do curso (seis anos), segundo Lucas Gomes, diretor de ensino superior do Quero Bolsa.  

 

"Medicina demanda um alto investimento para estudar nas universidades privadas, com mensalidades que podem superar facilmente R$ 8 mil. Nas universidades públicas, apesar de não haver a mensalidade, o custo para se manter também é alto esmo e a concorrência ainda mais elevada para conquistar a vaga", explica. "Como, segundo o IBGE, pretos e pardos têm, em média, renda 75% menor do que brancos, as políticas de inclusão têm efeito limitado", complementa.  

 

Em contrapartida, os cursos de licenciatura são os que mais incluem negros no ensino superior: Ciências Naturais (62%), Formação de Professores em Letras (49%), Química (49%), Matemática (48%), Física (48%) e Geografia (48%). Além da ampla oferta de vagas das licenciaturas, o menor custo das mensalidades nas instituições privadas e concorrência favorecem a presença de negros.  

 

Os outros cursos presenciais com menor inclusão no ensino superior são:  


Design (26,3%)  


Moda (26,4%)  


Design Gráfico (26,5%)  


Medicina Veterinária (26,6%) 
  

Enquanto medicina é o curso que menos inclui negros e pardos, as licenciaturas são os que mais matriculam estudantes pretos ou pardos