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Projeto Barco da Saúde leva estudantes de medicina ao Pará

Iniciativa, que surgiu em 2017 a partir de uma conversa entre amigos, oferece atendimento médico e odontológico a comunidades isoladas

| Da Redação

A vida do estudante de Medicina é dentro da faculdade, entre a sala de aula, os laboratórios e as atividades práticas, certo? Não necessariamente... Um projeto idealizado por dois alunos da Faculdade São Leopoldo Mandic mostra que os horizontes podem ser bem mais amplos, chegando até o Pará.

Entre 27 de julho e 5 de agosto, 47 pessoas, entre estudantes, médicos e dentistas, mais profissionais de suporte, participarão da terceira edição do Barco da Saúde, para prestar atendimento a populações ribeirinhas da região de Santarém (PA).

O projeto surgiu em 2017, numa conversa entre dois amigos: Jhenifer Moura Franca e José Anibale Junior, alunos do curso de Medicina da Mandic. "A gente vinha há muito tempo tentando se inserir para fazer esse tipo de ação voluntária, só que essas equipes são formadas há muito tempo e é um pouco difícil de entrar. Então a gente se informou e correu atrás para criar o nosso projeto" conta Jhenifer. "Apresentamos a ideia a faculdade, que nos apoiou, e assim surgiu o Barco da Saúde".

Segundo ela, o projeto é "uma ideia que foi abraçada por muita gente", passando a contar com o apoio dos professores e a compreensão dos alunos sobre o que a iniciativa representa.

O Barco, detalha Jhenifer, chega a localidades isoladas, muitas sem receber atendimento de saúde há anos. O projeto é desenvolvido em conjunto com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e por equipes das secretarias de saúde locais. "As comunidades visitadas são selecionadas pelo pessoal do Pará. Uma equipe de saúde da região vai às comunidades e faz um mapeamento prévio. Geralmente são comunidades muito carentes", detalha Jhenifer.

Para ela, a experiência é "importantíssima" para a formação do médico. "Não só para a formação profissional, mas para o crescimento pessoal. A gente acha que vai oferecer alguma coisa, mas há uma troca muito grande".

Participam do Barco da Saúde, estudantes do 2.º, 3.º e 4.º anos da Mandic. O único pré-requisito é participar de todas as ações que o Barco realiza durante o ano para levantar fundos. Como explica Jhenifer, o projeto depende dos recursos levantados pelos estudantes durante o ano. A faculdade entra com o dinheiro do diesel e da alimentação dos voluntários. Todo o restante é projetado e levantado pelos alunos que levam medicamentos, materiais escolares, brinquedos e insumos às comunidades.

Em 2019, será a primeira vez que alunos do 2.º ano participarão. Eles serão responsáveis por uma ação de educação em saúde.

Para Jhenifer o Barco da Saúde propicia uma vivência única, que quem fica somente dentro da faculdade jamais conhece. "Ela transforma o modo como você vê a vida e enxerga o outro. Estou indo pela terceira vez e nunca é a mesma experiência. Toda vez que eu vou, volto com o coração cheio de gratidão, por poder doar o que posso e receber tudo aquilo que de melhor é possível receber".

Jhenifer se lembra de uma experiência que a marcou na primeira vez que foi ao Pará. A equipe encerrando o trabalho numa comunidade que estava totalmente alagada. "Foi um dia muito difícil. A gente fez os atendimentos em pé, num galpão que arrumaram para a gente. As pessoas vinham de barco para conseguir serem atendidas".  

Participantes do Barco da Saúde, projeto da Faculdade São Leopoldo Mandic

A equipe estava quase pronta para partir, quando um senhor se dirigiu a ela e disse que queria dar um abraço e agradecer pelo que o grupo havia feito na comunidade.

"Ele estava muito emocionado, chorando, porque ali não passava nenhum tipo de atendimento havia muitos anos. Ele estava no local desde o começo, mas foi o último a ser atendido. Contou sua história,  disse que era o cacique da região. Chamei todo mundo e demos um abraço coletivo nele. Foi uma experiência de gratidão muito forte, de sentir mesmo o amor ao próximo", lembra Jhenifer.

Por isso, ela afirma que participar do Barco da Saúde é uma experiência que reflete diretamente no formação: "quando você consegue transformar a pessoa que é, automaticamente você melhora o seu profissional".