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Tecnólogo em radiologia lida com exatas e saúde

Profissional pode atuar no setor de diagnóstico e exames médicos, industrial e de pesquisa em medicina nuclear

30/04/2010 - 10:00

Globo.com/G1

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Para quem adora biologia, química e física, mas não abre mão do gosto pelas novas descobertas da ciência, o curso superior de tecnologia em radiologia pode ser uma boa opção. Além de executar técnicas radiológicas no setor de diagnóstico e exames médicos, o tecnólogo pode atuar no setor industrial e de pesquisa em medicina nuclear.

Entre os locais de trabalho em que pode atuar um tecnólogo, estão clínicas de radiodiagnóstico, hospitais, laboratórios, indústrias e fabricantes e distribuidores de equipamentos hospitalares. "É fundamental que o estudante que optar pelo curso tenha gosto pelo pensamento científico e pelo desenvolvimento tecnológico em prol da saúde, além de habilidade com as matérias de exatas, como matemática, física e química", diz Aléssio Trindade de Barros, coordenador de supervisão da Rede Federal de Educação Profissional, do Ministério da Educação (MEC).

O curso superior de tecnologia em radiologia ainda é novo. De acordo com o MEC, os cursos mais antigos na área foram iniciados em 1991, na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, e em 1992, na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas (RS). Entre os cursos públicos, o mais antigo foi iniciado em 2000, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Atualmente, os melhores cursos de tecnologia em radiologia, na avaliação da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica, do MEC, são os oferecidos pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina (Cefet-SC), iniciado em 2003, e pela Ulbra. No total, de acordo com o site www.educacaosuperior.inep.gov.br, do Ministério da Educação, 87 cursos de tecnologia em radiologia são oferecidos pelo país.

O curso

O curso superior de tecnologia em radiologia tem duração média de três anos, com obrigatoriedade de estágio. Na infraestrutura do curso, é obrigatória a existência de uma biblioteca incluindo acervo específico e atualizado, laboratório de anatomia, laboratório de informática com programas específicos e laboratório de processamento e análise de imagens.

Entre as disciplinas oferecidas na formação do tecnólogo estão química, física aplicada, matemática, anatomia, proteção radiológica e conteúdos específicos relacionados às tecnologias, como ultra-sonografia, medicina nuclear e radiologia, entre outros.

Áreas de atuação

Ao final de sua formação, de acordo com Caroline de Medeiros, coordenadora do curso de tecnologia em radiologia da Cefet-SC, o tecnólogo terá conhecimentos técnicos e científicos para atuar no gerenciamento, pesquisa e apoio a exames. Entre as funções que pode realizar estão:

- prestar assistência às necessidades dos pacientes submetidos a exames de diagnósticos por imagens;
- realizar exames de tomografia computadorizada, radiologia convencional e odontológica, ressonância magnética, densitometria óssea e mamografia;
- processar filmes radiográficos em tomografia computadorizada, radiologia convencional, odontológica e mamografia;
- executar procedimentos específicos no âmbito da medicina nuclear;
- realizar procedimentos de aplicação das radiações na radioterapia;
- gerenciar o processo de trabalho em todas as especialidades da radiologia e diagnóstico por imagem;
- auxiliar nas atividades de supervisão e radioproteção;
- desenvolver e executar o gerenciamento de resíduos hospitalares;
- desenvolver pesquisa científica e tecnológica no âmbito da radiologia.

Curso técnico em radiologia

Há quem tenha dúvidas sobre as diferenças entre o curso superior de tecnologia em radiologia e o curso técnico na mesma área, que tem duração de 1.200 horas. Segundo Barros, o curso técnico oferece uma formação voltada ao âmbito operacional, ou seja, à organização de ambientes e sua preparação para a realização de exames como mamografia, tomografia computadorizada, densitometria óssea, ressonância magnética nuclear e ultrassonografia.

"O curso de nível superior permite que o aluno tenha uma formação voltada para as mudanças tecnológicas, que são constantes neste meio. O tecnólogo pode trabalhar com gestão, apoio no diagnóstico de exames e tem uma atuação maior no ponto de vista científico", afirma o coordenador.

Na formação de um técnico são abordados temas como biossegurança, física das radiações, anatomia e fisiologia, além de geração e aplicação de raios X. As principais áreas de atuação para técnicos são serviços de radiologia e diagnóstico por imagem em hospitais, clínicas e unidades básicas de saúde.

Mercado de tecnologia está em expansão

O mercado profissional para os alunos que se formam em cursos de graduação tecnológica está em franco crescimento, principalmente pela carência de mão-de-obra qualificada no país. Uma tendência, segundo Aléssio Barros, do MEC, é que a formação em nível superior de radiologia cresça no país.

"É uma área em expansão, que oferece muitas oportunidades. Entre os cursos de tecnologia, este é o segundo que tem maior oferta de empregos no Brasil. Isso porque cada vez mais se precisa de pessoas especializadas em saúde e pesquisa tecnológica", diz Barros.

Para Caroline de Medeiros, do Cefet-SC, o preconceito com cursos de graduação de nível tecnológico aos poucos está diminuindo. "No fim da década de 90, esses cursos eram confundidos com cursos superiores seqüenciais, de curta duração e que não permitiam ao aluno continuar seus estudos em uma pós-graduação (mestrado e doutorado)", afirma.

No caso do curso superior de tecnologia em radiologia, segundo Caroline, o mercado profissional apresenta variações de estado para estado, ou seja, há maior demanda nas regiões com maior avanço tecnológico, como é o caso das Regiões Sul e Sudeste. No estado do Rio Grande do Sul, por ser um dos pioneiros nesta formação, a aceitação é muito boa, segundo a especialista.

Remuneração


Ainda de acordo com Barros, a depender da região do país, o salário médio de um tecnólogo em radiologia fica em torno de R$ 3 mil. Para profissionais que trabalham expostos diretamente à radiação, no entanto, de acordo com a presidente do Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia (Conter), Valdelice Teodoro, a carga horária de trabalho prevista em lei é de 24 horas semanais. Neste caso, o salário fica em torno de R$ 1,2 mil. Tecnólogos que não trabalhem expostos à radiação devem fazer em média, ainda segundo o Conter, 30 horas semanais.

O tecnólogo em radiologia pode trabalhar em clínicas radiológicas, hospitais com setor de radiologia e diagnóstico por imagem, empresas de equipamento médico-hospitalar e empresas de proteção radiológica. Além de atuar em áreas técnicas e clínicas, o profissional também está habilitado a trabalhar em áreas de gerenciamento.

Tecnóloga diz que mercado ainda desconhece profissão

Viviane Darrossi Vieira tem 22 anos e atua desde dezembro de 2007 como tecnóloga em radiologia. Formada em Santa Catarina, a jovem considera que o mercado ainda não valoriza a profissão por desconhecê-la. Ainda assim, para Viviane, a formação ampla oferecida pelo curso permite ao profissional atuar em diversas áreas ligadas à saúde. Confira a entrevista com ela.

G1 - Por que você escolheu cursar tecnologia em radiologia e como conheceu o curso?
Viviane Darrossi Vieira -
Na época em que prestei vestibular, eu não tinha muita certeza de que profissão escolher, apenas sabia que queria fazer um curso na área da saúde e já sabia de alguns cursos nesta área com os quais eu não tinha afinidade. Então, comecei a pesquisar sobre profissões ligadas à saúde, e dentre essas, a proposta do curso de radiologia foi a que mais me chamou atenção. Eu conheci o curso através do próprio Cefet de Santa Catarina, onde estudei.

G1 - Como está o mercado de trabalho para a profissão?
Viviane -
O mercado de trabalho para tecnólogo em radiologia ainda é muito restrito em Santa Catarina. Tenho conversado com profissionais de outros estados e a realidade é a mesma. Por ser uma profissão nova, ainda é muito desconhecida.

G1 - Qual a faixa salarial da profissão?
Viviane - O salário base estipulado pelo conselho da categoria é de dois salários mínimos mais o adicional de 40% de periculosidade. No entanto, a faixa salarial varia muito, dependendo da clínica e das atividades que o profissional desempenha.

G1 - O que o tecnólogo em radiologia pode fazer quando se formar? Quais são as principais áreas de atuação do profissional?
Viviane -
O tecnólogo é um profissional de nível superior apto a organizar, dimensionar, efetuar e disponibilizar exames radiológicos, bem como gerenciar setores de diagnóstico por imagem. Atualmente, algumas clínicas têm contratado tecnólogos para efetuarem exames de maior complexidade, como ressonância magnética, tomografia e para atuarem na área de medicina nuclear e radioterapia.

G1 - Como é o dia-a-dia de um tecnólogo?
Viviane -
O dia-a-dia de um tecnólogo depende muito de sua área de atuação. Como temos uma formação ampla, isto varia muito. Um profissional que atua como tecnólogo no setor de radiodiagnóstico convencional é responsável por realizar os mais diversos exames. Fica sob sua responsabilidade receber o paciente e conhecer o motivo pelo qual ele está realizando o exame. Então, o tecnólogo avalia as condições físicas do paciente e o exame a que ele será submetido. Dependendo do estado em que o paciente se encontra, temos que adaptar a rotina do exame a ele, sempre buscando um atendimento digno e um exame de qualidade que permita o diagnóstico médico.

G1 - O que você mais gosta e o que menos gosta na profissão?
Viviane -
O que eu mais gosto na área de radiologia é que temos uma formação ampla, que nos possibilita atuar em muitos setores. No entanto, o que menos gosto é o fato de o mercado muitas vezes desconhecer a proposta de nossa formação profissional.

G1 - Quais dicas você deixaria para quem pensa em prestar vestibular para o curso de graduação tecnológica em radiologia?
Viviane -
Uma pessoa que pensa em ser tecnólogo em radiologia deve gostar de anatomia, fisiologia, deve ter empatia e sensibilidade para lidar com as situações que os pacientes apresentam na sala de exame, e, principalmente, muito amor às pessoas, para poder dispensar um atendimento humanizado.

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